terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tão difícil o poema em meio às atribulações do dia; o poema, espasmos da vida; a quem nos mata, lealdade; espada suicida na mão de quem fia.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Oh, ainda o Carnaval, não me leve no bloco, vou sozinha, queridinha vou "in loco". Carnaval, na minha cidade ñ acaba, sempre a felicidade.
Um sonho acordado, sonho verdadeiro. Contigo? O abismo beiro. Mas o perigo me faz mais te amar, Apolo desvairado!
Ele se chamava Léo? Beijos cor de mel... Frutos nos postes de luz, tua a cruz.
Tanto o sol, miolos à flor da pele; de chapéu vou ao céu, mas no calçadão de Copacabana não me deixes ao léu!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Longe dos filhos, o exílio. Ah, suas imagens, a informática, comunicação? Ítaca perdida, Ática, naufrágios no Eugeu. Maior sempre a solidão.
Já pensaste em te deter junto a mim, beijar-me e desisitir, não de mim mas de tua pressa?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uma amiga não quer a liberdade, e olha que ela voa tanto, é comissária de bordo. Tem todos os homens atados a si. Segredo? Olhos de ressaca!
O mundo regido pela razão, como se isso fosse possível. Acho mais crível o mundo sob a égide da ração!
Queria tanto ter juízo. Quem sabe, um livro. Queria saber onde piso, saudades do dente siso. Queria lançar-me, mas tão alto... sem aviso.
Apareço-te, mas desapareço com tanta facilidade. Talvez, a minha idade... Quem sabe, a modernidade. Apareço e desapereço, descartabilidade!
Kant, tão bem... Oh, formação dos imperativos, que não sejam os categóricos!
Vieram-me perguntar: como ser poeta no twitter? Eu lá sei. Mas peguem as palavras, combinem-nas entre si, ouçam-nas. Soam bem? Depois... ai!
Tão bom o amanhecer, tanto que não me atrapalhem os ruídos da rua; tão bom o amanhecer, que não me revele nua; tanto prazer, na cama tua...
Tanto a divertir-me: festas, danças, carnaval; o meu corpo nas tuas mãos, mesmo que escorregadio. Perde-me que não mais darei por ti.
Quiseste-me nua, eis o teu desejo; quiseste-me sua, eis o teu desejo; mas dizes que vivo no mundo da lua; eis que de ti me protejo.
Ventania, mesmo assim abro a janela, quero que chegues, mesmo em sonhos de fim de verão.
Tempos e ideias; estas, muitas, quanto ao tempo que não me leve o vendaval...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Teu perfil a iluminar todo um mundo, luzes, estrelas que não se apagam. O universo é uma maçã.
Atravesso o céu sem ler-te, ou mesmo sem dar por ti; atravesso o céu, cometa solerte, jamais pousarás na cauda de um; minha, a cauda...
No encontro das ondas... serei eu a náufraga? Encontrar-te-ei, mas não te quero meu guardião. Melhor, sê a viração, a ressaca original!
Faltou um a... Sempre falta alguma coisa, só não posso eu faltar; faltar a mim.
Queres me ver? Em pele e sem retoques? Que horas acordas?
Minhas palavras misturam-se num mundo onde somos vizinhos, mesmo todos estrangeiros; oh, famílias, galáxias contemporâneas!
Línguas estrangeiras, sempre ao amanhecer, farfalhar de folhas distantes, ouço seus ruídos coloridos...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Céus que nublam sobre nossas cabeças, que escurecem ante nossos olhos, aportem-nos o verdadeiro amor depois da chuva do entardecer.
Malvinas (dedicado a Francisco Barreira)
Sofrida a luta por tuas ilhas, refrega acirrada, toda manhã, cada dia. Sofrida luta contra armada desmedida, tuas ilhas, tuas filhas...
Prefiro o cheiro ácido da maresia, prefiro a ferrugem se espalhando pelas dobras do dia, prefiro os homens roucos, loucos, sem brida,ó fria!
Soneto/ o título/ esmoreço/ soneto/ meu despeito/ tão curto/ e do avesso/ mas teu corpo/ um horto/ deito/contigo?/consigo?/ miragem/viagem.
Poesia do dia a dia, alimento, mas nada de nostalgia, poesia do dia a dia, armação de metal, reflexo do sol, partículas de sal, bem e mal.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Às vezes é melhor o silêncio; tantos os voos, o pouso no fim do dia.
Enquanto vou, vens. Já não dás por mim. Encontrar-te? Impossível. Somos dois nadadores que se revezam. Estou a vir, estás a ir.
Procurei rimas pra te namorar, procurei o verbo luminoso pra te beijar, procurei-te por toda parte, mas fugiste; ao Carnaval, com arte!
Parricídio, incesto, Tirésias e a peste. Por que tanto peso sobre Édipo? Tantas as guerras, tanta a miséria. Só, cego, sem pai nem mãe.
Dias no contrafluxo... Onde o lugar do poeta, se até já é parte da ideologia (boa tarde Mr. Porter) o lugar do bruxo?
Grande aborrecimento é, na maioria das vezes, escrever, enquanto há quem veja apenas a aura de glamour que envolve a palavra escritor.
Estrela da tarde, de luz amena e em conluio com a fresca brisa, brilha discreta enquanto não chega o meu amor.
Carnaval? Todos os dias; quem diz não, desafia. Carnaval, o inteiro ano de folia, mesmo entre a máquina que fia.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Escritores morrem sempre na praia. O que podem seus textos? Ah, a beleza, e nada mais...
Quem quiser escrever bem, leia Padre Antônio Vieira, da Penguin Companhia. Não que se vá escrever como, mas ninguém dominou melhor o idioma.
Passarinhos jamais poderiam escolher a minha voz; passarinhos não cantam a solidão.
Sol e praia, o carinho da brisa sobre o corpo; sol e praia, a saída, quase uma curta saia; olha lá, alguém me espreita, com olhar bem torto!
Saia justa, desfile de políticos; frusto-me, quero outra a fantasia!
Depois de tantos elogios, até temo um regozijo; lá vem o carnaval, alegria, suor, fantasia (ainda que mini), o corpo de sal...
Cruzam-se os olhares, esgares, sorrisos. Mas e os lugares? Atrás das câmeras, a distância; separados por mares.
Perdi meu poema, é noite, onde o abrigo? Esperar pelo dia? Mas estou nua! Oh, castigo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Oh, médicos, cura-me de tanta paixão. Para esse mal parece-me que não há cirurgiões. Nem Deus, o médico dos médicos, há de estender a mão!
Janelas do meu quarto! Dias de prazeres, árvores, jardins, pássaros a cantar, tu a me quereres inteira, mesmo sabendo-me interesseira.
Tão fácil o verso curto, mergulho de cabeça na superfície. Insatisfeita a poeta, quem disse? Mas que ideia, logo hoje, sonhar com a epopeia!
Longe os olhos do público? Caso queiras espelho, sim; mas se desejas namorado de ocasião, nada melhor que o escurinho, cantinho de salão.
Festa popular, dançar, flertar. Não roubes minha máscara; com a face nua, é certo que não vou um beijo te roubar.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Erótica 35: Espanto, tantos os santos, sigo perversa, a nudez sob o manto.
A poeta é humana. À noite, precisa deitar, sonhar, tocar teu corpo e dizer que te ama.
Oh, carnaval rima com aval; liberdade para o corpo; sem idade a alegria, a todos permitida algaravia.
Despejo alegria em teu calor, injetas-me sem economia teu ardor, nossos corpos ecoam a banda insurgente, meus lábios nos teus, inclementes.
Carnaval, joio e trigo, todos em conluio, a paz, mesmo presente o suposto inimigo. Oh, inimigo? Nada disso; aqui, todos muito amigos.
Leva-me no cordão, ata-me à tua folia, ama-me sob o sol; fantasia, apenas o suor, alegria, algaravia.
Pouco me dizes, mas muitas as orquídeas, poucos teus gestos, mas profundas as carícias...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Perco meu verso, vai misturado, milhões de páginas, soterrado. Perco meu verso. Mas não o copiaste em outro lugar? Nada, além dele, só amar.
Rios, sempre duas as margens, mesmo que invisível a do outro lado. Rios, terceira margem? Miragem, como a literatura.
Biografias... Fias-te na bio ou mais crês nas grafias? Conheces os poetas? Melhor saber de seus versos, longe os desafetos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Onde os leitores de poemas? Nem mesmo um morfema, nem um lexema, que tal um repetema?
"Cantas com tão pouco, mas em ti há toda a música do mundo." Falaste mesmo isso ou aproveitas para cantares a mim?
Tantas vezes apaguei, troquei mil por mim, mas fica o ato falho, vai a poesia, sou eu o mil a mim!
Poesia prostituída, versos a cem, versos a mim, livros e mais livros, dois por um, três por dois, versos à borda do barril.
Canção do exílio: Cifras teu verso? O leitor não trouxe a chave, não trouxe nem nunca a trará. Cifras teu verso? Melhor o canto do sabiá.
Não se fala de poesia, faz-se poesia, depois se tenta saber se honra o nome quem afia.
Poema com verso e anverso acho que não é mais poema, mas nota de cem, sem poesia, prostíbulo.
Querias a página em branco, poderias escrever qualquer história; querias a página iluminada, ao toque de meu beijo, sensória.
Lias um livro, não pude ver do que se tratava. Tão curiosa eu. Qualquer dia desses saltam meus olhos, olhos vidrados em ti...
Paisagem da janela: passou tão rápido, serias tu? Por que tanto corres, se quem amas é inalcansável?
Filosofia, amigo do saber? Filosofia, cada vez mais dúvidas, como viver?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A vida que corre nas calçadas... Competição, cifras em embulição; onde o meu namorado? Abro a caixa de pandora, prefiro o mundo-cão.
Carnaval, Momo e o bloco a me dar o aval. Deixa de tolice, me dizes, tira a roupa se me amas, não me leve a mal. Carnaval, sozinha, tchau!
Queria muito uma outra ordem, mas percebi que a única possível é a da poesia quando se muda o sentido das palavras. Há a loucura, mas essa?
Tantos seguidores mas poucos os leitores. Oh, frustrações de poetas amadores!
Arranha-céu, mas onde o céu de anjos, ou o de Cruz e Souza em Siderações? Arranho o céu, meu lápis informático ao léu...
Paisagem da janela, a palmeira gigante vista de cima, sombra além, sol de carnificina, ao ponto o ônibus lá vem.
A vida que corre nas calçadas... Competição, cifras em embulição; onde meu namorado? Abro a caixa de pandora, prefiro o mundo transtornado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Escreve bastante se teu objetivo é o espelho; tua face, porém, sempre aparecerá deformada.
Escrever bem? Uma palavra, teu poema bem concentrado, pronto a ir pelos ares.
Procela, levaste todo um mar, não cansaste, te pões ainda a devastar meu coração.
Paisagem, longe o mar e o céu, teu apartamento lá no outro lado, janela de arranha-céu.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poema menor: dizes que me amas, mas sei que te regalas mesmo é com meu corpo. Pena, não és capaz de perceber o contorno de meus versos.
Bons poetas sempre beberam além da conta, mesmo que distantes de copos e garrafas.
Silênico do monge, todas as palavras...
Olha, Carlos, não podes dizer que não gostas de poesia, vê tua garrafa de uísque, está quase vazia...


Mesmo que não reconheças, encontras sempre tua poesia, embora a ti, ela não venha com esse nome.


A lua cheia não entrou pela janela da sala, ela estava mesmo era lá no céu, eu é que me aproximei para vê-la melhor.



Amor: Minha boca treme sempre que falo o teu nome.



Depois que passam os anos, são os poetas os que melhor sangraram a ferida de cada época.


Tua pele, gotículas na ponta dos meus dedos; tua boca, ar que cobre minha manhã de domingo; segura-me forte, não quero de ti escapar.



A construção do poema, curvas ou retas as linhas? A construção do poema, corpos que se embaraçam...


Decassílabos os versos; decassílabo o amor; dez dedos, teu carinho.
 
Tantas as palavras, o desejo da poesia, na maioria das vezes apenas o desejo.
Minha rua é uma rua como qualquer outra no mundo, tem todos os dramas representados pela poesia e pelo romance, o difícil é descobri-los.


O drama da menina que passa lá em baixo, em frente ao bar: não sente necessidade de um namorado.



Brincos na minha orelha, brincos que se perdem de tão grandes ou de tão pequenos, brinco com as palavras, mas e a minha casa, um brinco?


Copio tua letra, copio tuas palavras, teu modo de escrever, copio teus temas, mas não posso copiar teu jeito de sentir...


Oh, poetas, se não alimentais o mundo, melhor a enxada, melhor a agricultura.


Não posso respirar apenas poesia, preciso de ar,e os poemas às vezes me sufocam, melhor, os maus poemas...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A lógica não dura; logo depois vem o surto.
Poesia e navios, âncoras desprendidas.
O riacho sempre seguindo, água após água. Eu queria ser um lago, aguardar você com lassidão.
Posto no dia de hoje uma série de poemas passados que tento recuperar do Twitter, com objetivo de torná-los de mais fácil acesso aos letores. Espero que os apreciem.

Vejo teu rosto (será mesmo tu?) no entremear de algumas luzes, na praça General Osório.
13 Nov
Margarida Souza

Esquecer? Como é possível esquecer aquele beijo que me destes?
13 Nov
Margarida Souza

Lembranças, não sei se boas ou ruins, mas nos construímos com lembranças...
13 Nov
Margarida Souza

Flutuar, névoa a cobrir meu rosto, olhos por trás dos teus.
8 Nov
Margarida Souza

Amores próximos, amores juntos a mim. Por que não o êxtase, o corpo a corpo, eu comigo? O sol, nuvens ralas, peneira, banho-me, minha a luz.
4 Nov
Margarida Souza

Às voltas junto a ti... Ando em círculos ou sou lua destemperada que cambaleia em tua órbita?
3 Nov
Margarida Souza

Namoros, como cores, qual a mais vistosa? Prefiro o brilho dos teus olhos!
1 Nov
Margarida Souza

Estupidamente, a paixão; ou delicadamente?
1 Nov
Margarida Souza

Fuga, ou a construção de um novo sentido?
1 Nov
Margarida Souza

Poesia, um fruto, o filho após o amor, uma gestação.
26 Out
Margarida Souza

Cética, eu? Sou tão apaixonada. Vejam minhas palavras, sempre um fio, carretéis, manchas no tapete...
26 Out
Margarida Souza

Casa-se de todos os modos, até consigo mesma, como a chinesa. Será que era chinesa? Será que casou mesmo?Pelo tempo já dever estar separada.
26 Out
Margarida Souza

A mocidade não vai acabar! Ou vai? Não sei. Mas minhas palavras pingam ardor de moça sempre enamorada.
26 Out
Margarida Souza

Voltas no caminho, palavrório, amores que se perdem...
26 Out
Margarida Souza

Palavras ao sol, aqueces, mas podes queimar-me; palavras úmidas de sereno, frescor, mas às vezes todo um inverno. Palavras, qual a medida?
24 Out
Margarida Souza

Tão bom escrever sem compromisso, deixar que as palavras fluam, sem querer dizer isso ou aquilo, apenas o rio e suas águas vagarosas.
21 Out
Margarida Souza

Paisagens: procurar tua face nos rostos dos homens que passam, as ruas apinhadas, sempre lembrar que te escondes atrás da falsa claridade.
21 Out
Margarida Souza

Há palavras que voam; outras grudam; há também as discretas, sempre cobertas por ligeiro véu, podem ser sol, podem ser lua, as dos poetas.
19 Out
Margarida Souza

Onde a poesia? São tantos os poetas... Onde a poesia, de cupido a seta? Poesia, em traje de gala, mas sempre descoberta.
18 Out
Margarida Souza

Quantas vezes terei de dizer teu nome? Dura o tempo quando te grito a esmo. Cesto de frutas, fui. Cobiçaste-me enquanto houve em ti a fome.
17 Out
Margarida Souza

Não me foge o poema, mas às vezes o tempo, pena, sempre em riste, não esqueço a ti marmórea ode...
17 Out
Margarida Souza

Lacaniana: esse desejo sempre circular, sempre a contornar o objeto, sempre a retornar ao desejante. Esse sujeito que aflora, inescondível.
7 Out
Margarida Souza

Freudiana: a metáfora, o que digo nunca é o que digo...
7 Out
Margarida Souza

Fantasia, queres tudo, até minha máscara? Dou-ta, mas o encanto dos meus olhos, jamais esquecerás.
7 Out
Margarida Souza

Fantasmátco, o teu desejo; fantasma eu, nas tuas noites insones.
7 Out
Margarida Souza

Calma! Não te aflijas, a nua sou eu, são minhas essas palavras.
7 Out
Margarida Souza

Sereno, gotículas que me vestem, gotículas que me despem...
7 Out
Margarida Souza

Esquece que atravessei a nado, esquece que estou nua...
7 Out
Margarida Souza

Atravesso a nado. Banha-se duas vezes no mesmo lago? Heráclito morava à beira de um rio. O tempo, as mesmas águas...
7 Out
Margarida Souza

Lanternas sobre meu corpo enquanto dura a noite; lanternas amarelas; rubro o desejo.
7 Out
Margarida Souza

Antes do amanhecer me pões, pública, em exposição; vem vindo o sol, desejas a mim ou o meu pudor?
7 Out
Margarida Souza

Pontes, sempre as pontes, aonde me levam? Oh, ainda me atiro de uma delas...
7 Out
Margarida Souza

Versos, contos (alguns tão eróticos!), duas novelas e um romance. É tudo que tenho!
7 Out
Margarida Souza

Luvas... Toco apenas o pano, percorro a fibra lisa do desejo.
7 Out
Margarida Souza

Mangas, não a fruta, mas o desejo. Mangas, sem a blusa.
7 Out
Margarida Souza

Esperar-te é convulsionar-me. Encontrarás a cama fria, nenhum rastro, nenhum corpo.
7 Out
Margarida Souza

Inquietante, sempre inquientante a vida. Quantos os movimentos desde o amanhecer até o momento em que se deita? Inquietante os sonhos...
7 Out
Margarida Souza

Reviro a alma, ou será o corpo?
7 Out
Margarida Souza

Emudeço. Meus dedos, congelados. Mas meu coração irradia todo o sol. Como poderás compratilhar minha linguagem, meu silêncio de fogo?
7 Out
Margarida Souza

Perfume que se espalha pelo ar, é o que sou. Corre, não és capaz de agarrar o aroma? Pena não possuíres esse poder. Guarda-me o cheiro. Só.
7 Out
Margarida Souza

Derramo-me em constelações, explosões inacabadas, pena que sejas outra galáxia.
7 Out
Margarida Souza

Espreitas fechaduras? Vem a mim, espreita-me por inteira!
7 Out
Margarida Souza

Sísifo era mulher: Ardo numa pira antiga; meu castigo é jamais acabar o fogo.
7 Out
Margarida Souza

Azul do fim do mundo; explode-me a alma, vermelha, enquanto houver desejo...
7 Out
Margarida Souza

Sou dividida em duas metades redundantes: a primeira grudada a teus lábios; a segunda untada a tuas mãos compridas, simbiose de prazer.
7 Out
Margarida Souza

Tudo são ciclones, carregam-me, deixam-me nua, esquecem que sou tua.
7 Out
Margarida Souza

Singular, quando tenho o teclado a minha frente, o prazer de escrever um poema; plural, quando vens a mim, quando toco tuas mãos, teu sol...
7 Out
Margarida Souza

Lá fora o pálido inverno, cá dentro arde o sol avassalador...
7 Out
Margarida Souza

Interiores: cabides de madeira, onde penduro o meu desejo.
7 Out
Margarida Souza

Não consigo escrever poesia, aborrecida; não consigo, não, quando muita a preocupação; consigo, sim, ao ver tuas mãos, teu anel, lua de mel.
30 Set
Margarida Souza

Meu poema, escrevo-o com os pés, passadas sobre o espelho, calçadas do centro da cidade.
30 Set
Margarida Souza

Oh, muros, sempre os muros, uns caiados, outros pintados, e você a premer minhas costas a um deles, sem saber o que há do outro lado.
30 Set
Margarida Souza

Poesia metafísica, dia em que não saio sem roupa, mas que duvido de minha alma...
30 Set
Margarida Souza

A vitrine da livraria da Travessa me basta, na Sete de Setembro, a vitrine alimenta a minha poesia de sexta-feira.
30 Set
Margarida Souza

Cinelândia, o prédio do teatro e o da biblioteca, viagens, homens que se perderam mundo afora sobre um banqueta, diante de livros...
30 Set
Margarida Souza

Quem foi que trouxe a mendiga para a poesia, com todo o seu mal cheiro, mas presente ainda o sorriso de princesa?
30 Set
Margarida Souza

Escrever é preciso, mais ainda escrever a cidade, com suas calçadas mal alinhadas, piso de pedras soltas, o passo torto de um menino.