quinta-feira, 28 de março de 2013

Desvencilhar-me dos meus vícios, escrever uma poesia pura. Teria de lavar infinitamente as minhas mãos... Não sobrariam mãos.
Não gosto de rios, não gosto de Heráclito. Quero sempre as mesmas águas..
Magia: Queres o poema profundo, que te toque a alma, que te libere dos desatinos. Mas atravesso a rua de uma cidade grande. Vou urbana.
Luvas,.. Minhas mãos não sentem teu calor.
Espera-me. Queres de mim o que não posso te dar. Espera-me. Queres de mim revelações. Talvez uma Clarice. O máximo que te ofereço é o vazio.
Barroca. Mil volteios, o mesmo lugar. Todo o dicionário; todas as combinações, sintaxes eruditas. Quis Gôngora. Bateu-me à porta Cervantes.
Procuro um assunto. Assusto-me, O poema sobre a falta de. O poema é sempre sobre uma falta. Falas sobre tudo? Falas sobre nada.