sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Cristo ao fundo, bastava que olhasses para cima, por trás de meu ombro. E eu via o espelho d'água da Lagoa. Embora plácido, eu naufragava.
Não digas o que houve, apenas que era maio, o mês em que te amei. Não digas o que houve, olha o cão à porta alheio aos dias e ao calendário.
Costura, meus dedos no vazio a tecer o porvir.Quando as fibras na plantação em tempos de eu menina a saber que, um dia, me cobriria a nudez?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um cálice filtra e esquarteja a luz num canto de parede, sementes luminosas que germinam meu verso.
De que vale o risco de um lápis sobre o papel se não há luz a remetê-lo aos meus olhos? A poesia nasce com o sol.
Risco de luz, retilíneo, a exibir a curva da maçã sobre a mesa da cozinha; risco de luz, provisório, enquanto dura, mínima, a tarde que cai.
Sofreguidão, subir o pau de sebo, dar-te um beijo, um milhão!