quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Esquece a razão, talvez ela tenha existido devido a um fio de cabelo, meu ou teu, não importa. A razão é o lançar-se de um tigre sobre ti.
Não me fales que o mundo é um atoleiro; a vida é teu corpo, o meu, é nosso abraço, mesmo que tudo seja pintura.
Areias movediças... quando criança sempre temi as areias movediças; hoje já não sei se elas existem. Mas tinham tanto charme.
Minha epopeia, 24 horas para atravessar-me com a ponta de teu punhal.
Procuro uma palavra, melhor dessas que caem a esmo, jogada fora por quem não sabe adulá-la. Pior do que isso é não encontrá-la..

Bons desejos: não estrague a festa, todos abem que tudo passará.
Queira meu corpo, um beijo no rosto, e esqueça que toda poesia é naufrágio.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Explosões estelares, abismos, rotas em colisão, buracos negros... O planeta habitado, grão de areia, coração a amar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Escadas, aonde me levais? Escadas, subir ou descer, acaso devo crer? Escadas, espadas, lâmina a cortar-me a sola dos pés.
Foge-me a palavra, lavra, ouro que se dilui; foge-me a palavra, aldraba, rio a fluir, mundo a ruir.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A carta, que o carteiro de ti me trouxe, mensagem cifrada, mensagem em branco; mas sei de tuas maneiras de dizer que me amas.
Preciosas, tuas palavras; esmeraldas nas mãos de explorador extraviado.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Subverte-me as palavras, tira delas o rastro de ser que cada uma traz no bojo e me deixarás louca, se loucura já não o é a minha poesia.
Avião, palavra a ruir o céu no momento em que te declaro amor.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Poema: Poucas palavras, três ou quatro; a linha do tempo; e a faca, comprida, afiada, para o próprio ventre, o corte na vertical, para cima.

sábado, 24 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Procuras a crença, encontras a religião; procuras a ideia, encontras a filosofia; procuras a música que permeia o caos, encontras a poesia.
Poema: palavras partidas, a esmo, lascas de frase, voz, mais a música, a forma, o não sentido.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O poema pequeno, minúsculo, uma palavra, e a explosão...
As palavras estão sempre aquém das possibilidades, mas não há nada que vá além delas.
Há coisas que são impossíveis nomear. Fica apenas o ar frio da manhã, envolvente, indiferente.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Forte o vento a fustigar-me a pele. Corte, do tempo, a riscar-me lépido. Caos, o amor (no fundo dor), a arder minh' alma.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Onde encontrar o motivo? Numa rosa, numa roda, na árvore da esquina, nas cores dos automóveis, na insuficiência de tuas palavras...
Amas a mim de maneira exacerbada; amas-me insuficiente...
São insuficientes tuas palavras, são insuficientes teus braços, teus dedos, o sonho de tuas carícias.
Usas as palavras para anunciar no muro a tua arte, usas as palavras para anunciar o teu disfarce...
Pálidas as palavras quando me desatas o desejo...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Queres-me vestida apenas de palavras, adornada de metáforas, rodeada de antíteses, nesta casa exígua onde mal me movimento? Sou um paradoxo!
Que susto! acordo ao teu lado, desfeita a magia da noite. Quieta e nua, quero desaparecer sob as cobertas. Onde a silenciosa chave da porta?

sábado, 13 de outubro de 2012

A cidade do futuro, pós-humana. Não mais haverá pernilongos... Mas, e você?
Tuas mãos passeavam-me, abriam janelas indiscretas.
Depois me olharás. Mas apenas com os olhos...
Lembra-te da parede contra a qual me abraçaste numa noite azul-marinho? Lá ainda estão as marcas invisíveis do nosso amor.
A cidade existe fora de mim, mas não sou fora dela.Casas da minha rua, ou de ruas alheias moldam-me o espírito.Homens anônimos constroem-me.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Concreta: a casa, grossas as paredes, duradouro o madeirame, vidros ainda intactos. Onde as pessoas?
Palmeiras. A terra não é tua, não é minha. Exílio: voou o sabiá.
Pós-humano: células implantadas em teu cérebro. Assim sabes mais história, geografia... Talvez até aprendas dizer bom dia.
Carne. A peça dependura no açougue. Tão vermelha como nenhum verso.
A árvore lança o verde que faltava.
Tento a poesia fora de mim, no objeto. Uma pedra, o sal, água do mar. Poesia concreta, esqueça o eu lírico, esqueça a/o poeta.
Cruzaste Gibraltar? Mas nunca saíste de Atenas...
O museu. a mão do pintor no quadro de Monalisa.
Estrangeiro, o viajante, sempre. Construções, tudo construções. Cimento, tinta, madeira, resina. E a montanha.
A montanha é algo concreto diante dos meus olhos, dos teus. Mas antes e depois de nós é uma não-existência. Fundou o mundo o primeiro olhar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Como ser poeta? Não sei... não sei. Leia todos os livros; depois, o filho. E que não seja prematuro.
Sempre às quintas, tento novos poemas, sempre às quintas, te namoro, num hotel de Moema.
Fazer arte com palavras... Tanto que não me digas impropérios. Palavras, perfídias, significados outros,adultérios. Serei pintor de paredes.
Os russos, sempre os russos; a música, a literatura... Pela arte mede-se a estatura.
Contraltos,luzes apagadas, minha voz, mas me olhas os saltos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Estrangeira, vejo-te de longe, vejo-te verdadeiro.
Não sei, não; ou sei, sim. A poesia é sempre afim.
Quantas as polegas? Medes meu rosto para guardar-me em tua carteira.
Poeta do arrabalde. Leva-me o verdureiro.
O deserto inspira fantasias. O deserto levanta-me o véu...
Agarra-me através de minhas palavras.
Narciso matou-se no rio. Feri minha testa em todos os espelhos...
Tantos os espelhos. Já não sei por onde seguir. Onde vou, dou comigo mesma...
Lemos nossos sonhos, lemos nossos poemas, lemos nossa face no espelho.
Não sei, não. Mas esse calor, fez que alguma coisa se soltasse.
Ou, filosofias, queres saber o início? Tudo começou com um beijo!
Torneira que goteja sem parar. Atenta, dizes-me, cuida da água que é pouca no mundo. Mas as palavras, fonte travada? Leva-me ou lava-me...
Não me queiras a palavra mágica. Melhor o show, enquanto faço desaparecer teu rosto complacente...
Demonstrações: palavras, gotículas da cachoeira que se estende, apenas posso enxergá-las.
Difíceis esses poetas de hoje. Melhor o Classicismo, ou o Arcadismo, quem sabe o Romantismo... Oh, as palavras apenas e a subversão ao pai.
Ruas tortas, encanto de trapézios, geometria, o salto, do mendigo andaluz, que se perde (ou se acha, não sei) entre a bebida e a cruz.
Escrever o dia inteiro, descobrir-me nua num espelho. Frágil a lâmina, mais frágil minha imagem se derrama.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012


Tu me lês em Amsterdã? Suas no verão em Moscou... Em Lisboa se fala português. Mas preferiste o Concerto de Aranjuez.
Saudade de meus leitores. Sê albatroz, veleja sobre a praia, mergulha. O peixe vai longe das minhas mãos.
Perde-me a obra, vão meus poemas. Vã, eu? Vai, disseste-me, Trocas-me, o troco, trocadilho. És peralta, armadilho...
Vil, eu? Ou viste a mim? Ah, nessa altura, vamos ambos vis.
Quero todos os poemas,quero o dicionário, todas as possibilidades, a gramática e seus ardis. Mas em pé, olho a ti, e me admiras vil.
Não me esqueças, apenas me apoquenta, no calor que se anuncia..

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Às vezes esgotam-me as palavras, desaparecem as ideias. É hora então de pegar pra ler um livro, e me perder em suas entranhas.
Ser escritor não é escrever entre duas margens. Mas encontrar uma terceira.
Sabe o que é morar perto do mar? É escutar sempre seu rugir, suas explosões. É saber que à noite, enquanto vou insone, arriscam-se pescadores.
Margens estreitas a de meu rio; se em dois passos o atravesso, como encontrar a terceira?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Despertador. O poeta é um fingidor, finge tão completamente... que até onde há o amor, semeia e encontra a dor.
Demorei-me? A poesia às vezes falha em meu despertador.
Sopra-me, preenche meus poros com teu sal...
O mar é belo visto da praia. Mas do oceano, em meio a tempestades, temeridade.
O mundo em desconcerto... Primo pelo acerto. Mas as velas, sopram outros ventos.
Saudades da minha terra. Qual terra? Em todo lugar sou estrangeira.
Parafusos, enrosco-me; tuas mãos, o torno.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sonho: onde as amarras?
Conceitos: acordos desfeitos...
Manhã: asas...
Envergonha-te? É o mundo...
Ausência, apenas minhas mãos.
Presente: dou-me a ti.
Trapezista, salto, sempre a confiança no outro.
Trapezista, salto, sempre a confiança no outro.
Pêndulos, movimento constante, atração pela terra, gravidade.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Poeira, cortina revelada pela luz do sol, poesia envergonhada, mulher nua a poder cobrir-se apenas com as mãos.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Calça-me, meus pés em tapete de relva, cosquinhas, pontas de ardor, espero subir sobre teu corpo, sobre teu calor, levitar, céu sem nuvens.
A cidade cobre-me, um véu, meu o calor...

sábado, 21 de julho de 2012

Cheira a cor, apalpa o invisível, Choca-te o experimento? Palavras suam em dias de inverno...
Sente o cheiro, experimenta o chocolate, examina a cor, apalpa a textura. Invisível a poesia?
Cada palavra tem sangue próprio. Cada poema é um corpo, com perfeita individualidade.
Poeta, canta tua incapacidade, aí terás o que chamam de poesia.
Oh, literatura, palavras mal ajambradas em sintaxes à revelia... Oh, literatura, o dicionários apenas, sem fratura.
Podes tirar o sentido de cada palavra, também podes esquecer-te do calor do meu corpo. Não és capaz, porém, de esquecer que um dia te amei.
Esquece a moda literária, guarda em teu caderno algumas palavras, Inebria-te com elas. Não podes evitar o álcool que goteja de cada sílaba.
Queres a mim? Toma um pouco de minhas palavras, tenta o pouco de sumo capaz de saciar tua sede.
Cobre-me, com um dedo de teu calor...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sopra-me a pele com o calor dos teus pulmões, ainda que teu ar seja breve e se perca entre amantes e náufragos, nesse porto dos desejos.
Publicas o amor, mas com ele a dor; publicas o calor, com ele suor; publicas o ardor, mas não encontras a flor.
Escalas montanha noturna, teus dedos te sustentam, frágeis artelhos. Escalas meu corpo, noite soturna, me despes, tão frio, a bruma.
Teu rosto, nada de sol, nascente ou posto. Teu rosto aponta direções. Quem sabe, desgosto...
Fugiram-me as palavras? Devaneios, narrativas. Escamoteio.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Desandei todos os planos, mergulhei em aeroplanos. Mudei o sentido das frases, da lua descobri cinco fases...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Criança, quis entrar pruma escola de poetas.Mas logo descobri que as escolas... Então percebi que seria a pessoa mais só em todo esse mundo.
O principal inimigo do poeta é ele mesmo. Ser poeta é acreditar que a escrita é possível.
Tantos corpos tem o poeta. Mas não os pode ver o leitor: o poeta é uma nuvem baça, ou um ente sempre apaixonado. O poeta é um fingidor!
Deixaste tua terra, ganhaste novo lugar. Ganhaste? Suspiras por tua terra, suspeitas do novo lugar. Descobriste: não és de lá nem de cá.
Quantas vezes morremos? Segundo M Bandeira duas, de corpo e de nome. Bem fazem os poetas, eles não morrem. Eis Camões, no boteco da esquina!
Amor tuiteiro: deixa o corpo falar; com palavras a gente não se entende...
Antiguidade? Somos um casal postal, namoramos, um namoro epistolar... Facebook não tem graça. Onde a carta do meu amor, Mr. Postman?
O mistério do mundo. Pois qual será o mistério do mundo? Mergulho fundo, saio com o corpo molhado, e o sol a se esconder, Mistério mudo.
Fala-se tanto sobre a arte de fazer versos. Metade da obra dos poetas é sobre isso. Mas não falo nada, apenas assovio; minha música.
Nas ondas do mar, quero a espuma, meu vestido de noiva. Comprido o vestido. Mas apenas o vestido, deixo pra você o noivo..

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Teces com o fio de Penélope? Teces o fado de Odisseus...
Caos, todas as palavras do dicionário; sentido, a linha do teu sorriso.
Fetiche: esconde-me todo o corpo, xales e mantos, deixa-me de fora apenas os olhos, e ainda assim dirás que vou nua.
Manejar todo o alfabeto, desejo sempre secreto.
Outro dia alguém disse que Manoel de Barros "despalavra" a realidade para fotografar o mundo. "Despalavras", digo, o achamento da poesia.
Epopeia: equilíbrio na linha do dia.
Epopeia: equilíbrio na linha do dia.
Cheiros e cores, sonho de padaria; linha vermelha na máquina de costura, flâmula do dia; rio de boca cheia, varal de alegria.
Menor a poesia, ambrosia; melhor o paladar de quem fia.
Cadinho de voz, saudade atroz.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

domingo, 10 de junho de 2012

Cometas, meteoros, estrelas cadentes, Quimeras vazias pra minha poesia. Melhor a indiferença, às vezes a indecência, orfandade, ausência.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Desliza tuas mãos sobre minha pele úmida, experimenta-a; há de alimentar-te, sempre o leite.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ocultar a poesia sob um véu, as palavras.
O amor não combina com palavras, corpos falam, carícias entre si.
O sol não existia antes dos olhos.
O que impede o sono? A pedra do sono.
Não ter olvido, passar incólume, ahistórica.
Não ter ouvido, passar incólume ao desvario.
Cansa-me esse tempo de poemas levanta-umbigo; cansa-me sorrisos que disfarçam fé prestes a ruir. O poema é fraco, precário, uma poeira.
Palavra, como a pedra, como a pá, lava de vulcão jamais extinto.
A paz... Na verdade não existe paz, nunca existiu; estamos sempre em pé de guerra, embora sorrisos petrificados.
Para o poeta, toda terra é estrangeira.
Odre: o verbo depois do vinho, poema sublime.
Voltar atrás, quantas vezes?
Voltar atrás, quantas vezes?
Fios de náilon, atar-me-ás ao meu amor ou me envolverás o pescoço para me deixar dependurada?

domingo, 3 de junho de 2012

Itinerário, faíscas urbanas apontam o caminho. A noite cai, cibernética. A Lagoa espelha os postes de luz. Ainda os peixes.

sábado, 2 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Não me olhes através do espelho. Na verdade, enxergas a ti mesma.
Poema, fala-se a um auditório vazio. Apenas uma senhora (e surda!), na última fila.
Poesia de papel, incêndio a me levar o poema e as cinzas. Poesia no computador, tantos os vírus... Pior, poeira em Sirius...
O mundo prático, papelaria, lápis, canetas, teclado de computador; onde o poema?
Fugaz a poesia, uma lista de compras, não consta, na última linha ainda mantimentos...
Uma rainha nunca é um rei. O máximo que pode pedir é um pouco de paciência.
Espelho, riscas no rosto, rei posto.
Ainda a morte, a tarde que se vai, um rol... Sempre achamos que muito resta a fazer quando, talvez, o melhor ficou atrás.
Escrever a tarde inteira, o fio, o tecido, senhora a tricotar, tantos os poemas, cachecol...
O poeta e o escritório: Trabalho e clientes, lembranças da vida comercial.
Desliza a tarde, sem alarde, na sombra que escorrega no piso da sala. Sobe a parede, chega ao parapeito, à janela e atira-se suicida.
Escorre-me o sangue pela extremidade de um dedo, escapa-me a lembrança de tua face no albor dos dias...
O poeta não é um campeão. O que ele pode comemorar, senão a brevidade dos dias?
Perde-se tanto, muitas as derrotas. Não se cobre o sol com a peneira dos dias.
Tantas vezes morremos. Pouco a pouco, na brevidade dos minutos que nos escapam.
A borboleta cintila suas asas de sol. Efêmera a borboleta, efêmeras suas asas. Por isso, a beleza.

sábado, 26 de maio de 2012

Largo o espaço da poesia, mas obscuro, túnel no tempo, buraco negro, onde a incerteza do silêncio ecoa.
Uma estante de livros, tantas as histórias, alguns poemas, um mundo invisível. Como descobri-lo?
Quando não há poemas? O silêncio. Ou poucas as palavras. A rua, a árvore da esquina, o sol.

domingo, 20 de maio de 2012

Frágil a vida, equilíbrio precário sobre fio de arame, como as palavras, como a poesia.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A poesia chega séria, olha o mar, quer ajudar, rima amar. Mas sai seca, ossos na mandíbula de cães.
Controle de diabetes: És tão doce. Não posso te namorar.
Desloca-se o objeto, bananas no quarto de dormir. Talvez assim você tenha a poesia. Ou será o desastre?
Atividade do dia: supermercado. Gôndolas, mas não estou em Veneza.
Leitores do meu blog, na Rússia e na Alemanha fala-se português. Tantas as visitas. Enquanto em meu país, saio pela porta dos fundos...
Política: escondo-me atrás de três moças, que disputam um namorado.
De uma charge de Chico: Verdades, são tantas, mas sempre no calabouço.
Poça, sol ao avesso, poesia.
Espelho de sol na poça. Fim da chuva, inicio do dia.

sábado, 12 de maio de 2012

A menina acorda, vai até sua mãe. Ela ainda dorme. A infância é amiga das manhãs.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A mulher vai nua. Não há o amanhecer. Na verdade não há o tempo. O gozo é único e eterno.
Alguém já olhou a cidade pelo rés-do-chão? Ela é tão horizontal...
São tantas as pernas nesta cidade, pernas coloridas, pernas em negro, pernas nuas, pernas sérias (de gravata?) Acho que vão ao Fórum.
Na esquina, o sinal luminoso demora a abrir. As pessoas estão juntas esperando pela luz verde... as pessoas estão sempre juntas.
Não me perguntes por que escrevo tão pouco. Antes o poema surgia do espanto. Hoje não há com que se espantar.
A empregada segura sua vassoura e varre a entrada do edifício, varre um pedaço de jornal onde um poeta deixou para a posteridade seu poema.
Escadas, levam aonde? Meu cachorro não precisa de filosofia.

sábado, 5 de maio de 2012

Tão bonito um lápis, elegante, todas as possibilidades na ponta fina do grafite.
Oh, socorro, uma hemorragia! Poemas se derramam dos meus dedos...
Vou fazer ponta ao lápis, melhorar a letra, ouvir de longe quem beletra e, quem sabe, retornar secreta...
Não tente deter Cronus, ele parece tão inofensivo...
O tempo passa, e vejo meus traços se acentuando, no espelho do quarto de vestir.
Assim como brilha, logo apaga, a poesia fugaz dessas páginas digitais...
Festa dos sentidos, a noite se avizinha, pulsa quente o corpo da cidade, corpo de todos, e que vai quente, à espera do momento de amor.
Tão confusas essas teclas... quase a poesia vai em outra língua, numa em que ninguém poderia decifrar-lhe o sentido.
Trapo, o meu corpo depois de o tateares,,, O amor.
A preguiça me domina, fica o lápis guardado na gaveta. E minha poesia escapa-me, mas vai muda.
Poucas as palavras, espaço exíguo essa rua, quase viela, em que derramo minha língua europeia. E tu, que não precisas de verbos quando amas.
Adoro a cidade e seus artifícios, passar à noite como estrela fugaz por rua em que a névoa friorenta escapa. E tu a mergulhares o meu corpo.
A maresia, meu corpo salgado, e o vento que vem de longe... A quentura das minhas mãos dentro do bolso do casaco.
Ontens e amanhãs, espero-te. Onde o tempo?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Longínquo o som das vozes alheias. É o mundo que continua a existir. Da janela não vejo quem conversa. Esse vozerio bem daria um belo poema.
Calos nas mãos, esbarro na louça que enfeita a mesinha da sala, Um pratinho cai mas não quebra. Suspiro um poema. Alívio.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os raros momentos de solidão e de silêncio são, na maioria das vezes, a pura poesia.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O verso, não perfeito, mas como se jamais dito, qual estátua em museu antigo, sempre.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Gosto de apreciar os cacos de um copo partido. Mesmo que deles nos desfaçamos surgirão em algum lugar. Assim a vida, impossível descartá-la.

O tanto que quero o roçar dos teus dedos sobre o meu corpo. O poema pode ser doce mel a te levar à embriaguez do amor, à embriaguez da vida.